Domingo, 24 de maio de 2026

Black Beauty: mercado da ‘beleza equitativa’ representa uma oportunidade de US$ 2 bilhões, aponta relatório

Novembro Negro tem funcionado como um acelerador para mudanças no mercado de estética - Foto: Freepik O relatório “Representatividade negra na indústria da beleza”, da McKinsey Quarterly, aponta que cerca de US$ 2 bilhões em receitas estão “à ver navios” devido à falta de investimento em beleza equitativa. Com a emergência da descolonização estética, o setor tem perdido uma parcela crescente de consumidoras negras, insatisfeitas com produtos e procedimentos que não contemplam seus tons de...

Black Beauty: mercado da ‘beleza equitativa’ representa uma oportunidade de US$ 2 bilhões, aponta re

O relatório “Representatividade negra na indústria da beleza”, da McKinsey Quarterly, aponta que cerca de US$ 2 bilhões em receitas estão “à ver navios” devido à falta de investimento em beleza equitativa. Com a emergência da descolonização estética, o setor tem perdido uma parcela crescente de consumidoras negras, insatisfeitas com produtos e procedimentos que não contemplam seus tons de pele.

Esse descontentamento tem encontrado força em campanhas e discussões durante o Novembro Negro, mês voltado à reflexão sobre identidade, representatividade e equidade racial. O movimento reflete uma mudança de comportamento apontada pela Mintel em 2023, em que 46% das mulheres negras afirmaram estar cansadas de ouvir como deveriam parecer.

Nesse contexto, os procedimentos estéticos no mercado nacional ganharam uma nova roupagem, passando a atuar como aliados na valorização da autoestima e no reforço à identidade afro-brasileira. Para se ter uma dimensão desse potencial, dados cruzados da Market.Us e InsightAce Analytic indicam que o mercado global de beleza negra alcance entre US$ 31 à 34 bilhões até 2034, com um crescimento anual mínimo de 8% e máximo de 14%.

Atuando há 10 anos com especialização em pele preta no Brasil, a biomédica esteta Jéssica Magalhães reforça que a procura por tratamentos personalizados aumentou significativamente, impulsionada pelo interesse em procedimentos que respeitem a identidade e os traços específicos da pele afro-brasileira. “O mercado está mais atento à representatividade, mas ainda existe uma lacuna entre o que é oferecido e o que a pele negra realmente necessita. É uma oportunidade enorme para transformar procedimentos em experiências de valorização e empoderamento”, afirma.

Publicidade
/apidata/imgcache/82f987f3939054a6d9fc18ca763064bf.jpeg?banner=postmiddle&when=1779654722&who=45

Segundo a especialista, cada cliente exige um olhar individualizado, e a valorização da pele negra vai muito além da aplicação de produtos. Avaliar a tonalidade, textura, densidade de colágeno e as respostas da pele em diferentes ativos é fundamental para garantir resultados naturais e seguros. “É essencial conhecer como a pele negra reage a cada substância; se o objetivo é hidratar, uniformizar o tom ou trabalhar contornos. Um planejamento cuidadoso evita pigmentações indesejadas e resultados artificiais”, explica Jéssica Magalhães.

A biomédica avalia que o Novembro Negro tem funcionado como um acelerador para mudanças no mercado de estética, forçando clínicas e profissionais a repensarem protocolos e produtos. Na prática, ela própria revisita constantemente cada etapa de seus atendimentos, ajustando técnicas, combinando procedimentos e testando novas abordagens para garantir que cada cuidado seja relevante e contemporâneo.

A profissional também cita a importância de unir cuidados estéticos a hábitos saudáveis em casa, como hidratação adequada, uso de protetor solar, atenção à ácidos e uso de produtos compatíveis com a pele. “O cuidado contínuo é tão importante quanto o procedimento realizado no consultório. Quando aliados a tratamentos personalizados, esses cuidados ajudam a prolongar os efeitos, manter a saúde da pele e reforçar a autoestima. O Novembro Negro é um momento de reflexão, mas também de ação, já que valorizar a própria pele é celebrar a ancestralidade e fortalecer a identidade”, analisa Jéssica.

Leia também

Brasil supera potências europeias em ranking de liderança feminina da Geração Z, aponta estudo divulgado pelo LinkedIn mulher

Brasil supera potências europeias em ranking de liderança feminina da Geração Z, aponta estudo divulgado pelo LinkedIn

Associação de Surdos – Libras de Piracicaba busca apoio para aquisição de uniformes esportivos esporte

Associação de Surdos – Libras de Piracicaba busca apoio para aquisição de uniformes esportivos

Com uma estimativa de 36 milhões de pessoas 60+ para 2026, colocar o idoso no centro do cuidado deve ser objetivo brasil

Com uma estimativa de 36 milhões de pessoas 60+ para 2026, colocar o idoso no centro do cuidado deve ser objetivo