Domingo, 31 de maio de 2026

Com uma estimativa de 36 milhões de pessoas 60+ para 2026, colocar o idoso no centro do cuidado deve ser objetivo

Iniciativa do HC/FMUSP quer impactar 2,5 mil idosos com jornada de cuidado integral e acompanhamento ao longo de seis anos na capital paulista

Mulher idosa sorridente sentada na cama em um quarto iluminado, amarrando o tênis antes de realizar atividades físicas ou caminhada.
Envelhecer com saúde, autonomia e autoestima passa a ser pauta de discussão na sociedade - Foto: Freepik

O envelhecimento no Brasil segue em ascensão. Isso é o que mostram os dados do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cujas projeções populacionais apontam para uma população brasileira com 60 anos ou mais em aproximadamente 36 milhões de idosos em 2026. De acordo com o IBGE, o ritmo acelerado de envelhecimento da população - em 2025 o Brasil computou 213,4 milhões de habitantes - vem sendo registrado nos últimos anos. Em 2025, dos 213,4 milhões de habitantes, 35,2 milhões eram pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a aproximadamente 16,6% da população brasileira e a projeção do IBGE indica que esse percentual continuará crescendo nas próximas décadas.

Diante do cenário atual, cada vez mais, envelhecer com saúde, autonomia e autoestima passa a ser pauta de discussão na sociedade, incluindo a segurança dos idosos. O bem-estar dos idosos envolve qualidade de vida e planejamento para evitar, por exemplo, que uma queda dentro de casa seja evitada e, consequentemente, se torne um acidente grave com sequelas ou uma vire uma fatalidade.

Transformar a forma como o envelhecimento é percebido e vivenciado no Brasil é a proposta do Movimento Memória 60+, iniciativa acadêmico-científica conduzida no âmbito do HC/FMUSP - Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

O País está envelhecendo rapidamente, mas ainda não aprendemos, como sociedade, a envelhecer bem, e o Movimento Memória 60+ nasce para mudar essa lógica, colocando o idoso no centro do cuidado e da decisão sobre sua própria saúde

Alexandre Leopold Busse, professor doutor, coordenador do Movimento Memória 60+

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Estruturado como uma jornada de cuidado integral, o projeto pretende alcançar 2.500 pessoas com mais de 60 anos na capital de São Paulo. A iniciativa começa com uma triagem digital, que avalia aspectos como memória, atenção, mobilidade, nutrição e saúde emocional, estimulando o autoconhecimento e o engajamento dos participantes com o próprio cuidado. A partir dessa etapa, 250 idosos serão selecionados para uma experiência presencial imersiva no HC/FMUSP, prevista para outubro de 2026.

Avaliações multiprofissionais

Durante o encontro, os participantes do Movimento Memória 60+ passarão por avaliações multiprofissionais e por estações de orientação e vivência, que integram saúde física, cognitiva e emocional. “O projeto propõe uma mudança de olhar sobre o envelhecimento, que deixa de ser associado apenas a perdas e passa a ser compreendido como uma fase de continuidade, autonomia e possibilidades”, destaca a outra coordenadora da iniciativa, a professora doutora Gislaine Gil.
 

Além das avaliações clínicas, a proposta inclui experiências voltadas ao bem-estar e à autoestima, reforçando a importância do cuidado integral. A jornada, no entanto, não se encerra no evento presencial: todos os participantes serão acompanhados ao longo de seis anos, com monitoramento digital e reavaliações periódicas.

Nova percepção sobre envelhecimento

O objetivo é gerar impacto tanto individual quanto coletivo, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população idosa e para a construção de uma nova percepção sobre o envelhecimento na sociedade.O Movimento Memória 60+ também abre espaço para a participação de empresas parceiras, que poderão apoiar a iniciativa por meio de ativações e ações voltadas ao autocuidado e ao bem-estar, fortalecendo a conexão com o público 60+ em um projeto de relevância científica e social.Segundo os idealizadores, o diferencial da iniciativa está na continuidade.
 

“Não se trata de uma ação pontual, pois estamos propondo um acompanhamento de longo prazo, com monitoramento digital e reavaliações periódicas”, ressaltam os coordenadores. “É uma mudança de paradigma: sair do cuidado reativo para um modelo preventivo, integrado e contínuo”, complementam.

Além do enfoque clínico, o projeto incorpora dimensões frequentemente negligenciadas no envelhecimento, como autoestima e bem-estar emocional. “Envelhecer não pode ser sinônimo de perda de identidade. Quando trabalhamos autoestima, autocuidado e pertencimento, estamos também promovendo saúde”, reforça a coordenação da iniciativa.

Com potencial de impacto coletivo, o Movimento Memória 60+ busca ainda engajar empresas interessadas em apoiar o projeto e se conectar de forma qualificada com o público idoso. “Existe uma oportunidade clara para marcas que desejam ir além da comunicação e participar de uma transformação real na vida das pessoas”, afirmam os organizadores.
 

A expectativa é que o Movimento Memória 60+ contribua não apenas para melhorar indicadores de saúde, mas também para redefinir a forma como o envelhecimento é percebido no Brasil, como uma fase de continuidade, autonomia e novas possibilidades.

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