Enquanto os adultos falavam sobre a vida, eu ainda estava tentando descobrir por que eu estava no tenor sendo que minha voz era aguda e sabia fazer soprano.
Foi ali que aprendi que cantar não é uma competição para ver quem canta mais alto. Graças a Deus, porque eu conheci gente que tinha mais entusiasmo do que afinação. Fato!
Num coral, você aprende a ouvir. Ouvir sua voz, ouvir a voz do colega e entender que, a música fica mais bonita quando cada um encontra o seu lugar. Mas os anos me ensinaram outra coisa: ouvir não basta. É preciso aprender.
Muita gente entra num coral, numa banda ou num grupo de louvor achando que chegou ao destino, quando na verdade acabou de entrar na estrada.
Afinação se desenvolve. Técnica se aprende. Respiração se treina.
E aqui vai uma verdade que nem sempre agrada: boa vontade é importante, mas não substitui estudo.
Já conheci gente que cantava muito bem e achava que ainda precisava aprender. E já conheci gente que mal acertava a própria entrada na música, mas tinha certeza de que estava pronta para gravar um DVD. Ilusão.
No fim das contas, a maior lição que a música me ensinou foi simples: para cantar melhor, primeiro é preciso ouvir. E, às vezes, ouvir que ainda temos muito a aprender.
Eu também já desafinei. O problema nunca foi errar uma nota; o problema é achar que não precisa mais aprender com ela.