Terça-feira, 19 de maio de 2026

Desporto de Surdos: Assupira mobiliza campanha para levar atletas de Piracicaba às Surdolimpíadas 2025 em Tóquio

Dois atletas da região estão a um passo de disputar a principal competição mundial para esportistas surdos, mas dependem de apoio financeiro para realizar o sonho. João Pedro de Freitas, de 22 anos, e Denilson Santos Bastos, de 28 anos, ambos ligados à Assupira - Associação dos Surdos de Piracicaba, foram convocados pela Confederação Brasileira de Desporto de Surdos para integrar a Seleção Brasileira de Vôlei nas Surdolimpíadas 2025, que acontecem de 15 a 26 de novembro, em Tóquio, no Japão.Even

Desporto de Surdos: Assupira mobiliza campanha para levar atletas de Piracicaba às Surdolimpíadas 20

Dois atletas da região estão a um passo de disputar a principal competição mundial para esportistas surdos, mas dependem de apoio financeiro para realizar o sonho. João Pedro de Freitas, de 22 anos, e Denilson Santos Bastos, de 28 anos, ambos ligados à Assupira - Associação dos Surdos de Piracicaba, foram convocados pela Confederação Brasileira de Desporto de Surdos para integrar a Seleção Brasileira de Vôlei nas Surdolimpíadas 2025, que acontecem de 15 a 26 de novembro, em Tóquio, no Japão.

Evento multidesportivo mais antigo depois dos Jogos Olímpicos, as Surdolimpíadas foram criadas em 1924, em Paris. A competição surgiu para oferecer igualdade de condições, já que pessoas surdas não participam das Olimpíadas (por estarem em desvantagem em relação a ouvintes) nem das Paralimpíadas (onde teriam vantagem sobre outras deficiências).

Apesar de ser o maior evento esportivo do mundo para atletas surdos, a Confederação Brasileira de Desporto de Surdos ainda não obteve patrocínio para custear a delegação nacional. Com isso, cada atleta convocado precisará arcar com todas as despesas de viagem, hospedagem, alimentação, uniformes e taxas de competição – um valor estimado em R$ 30 mil por atleta.

Diante da situação, a Assupira lançou uma campanha de arrecadação para garantir a presença dos dois representantes da Associação em Tóquio. “É um momento histórico para nossos atletas, que conquistaram a vaga com muito esforço. Eles levam o nome do Brasil, mas também o de Piracicaba para o mundo, e não podem ficar de fora por falta de recursos”, afirma a presidente da Assupira, Giselle Lorena Milhomem.

Publicidade
/apidata/imgcache/82f987f3939054a6d9fc18ca763064bf.jpeg?banner=postmiddle&when=1779172646&who=45

A entidade busca parcerias com empresas, instituições e cidadãos para custear, total ou parcialmente, os gastos da viagem. A prioridade imediata é a compra das passagens aéreas, dada a proximidade da competição. “Cada dia que passa, os valores aumentam. Se não houver patrocínio, os atletas terão de assumir os custos, o que é um grande desafio, já que muitos dependem de salários modestos do chão de fábrica”, reforça a presidente. Atualmente, somente a passagem aérea para cada atleta está orçada em R$ 9.500.

TRAJETÓRIA

João Pedro, conhecido como “JP”, é atleta desde os 15 anos. Atuou por muitos anos em equipes de ouvintes até ingressar, em 2019, na equipe de vôlei de surdos. Entre as principais conquistas, destacam-se o 3º lugar no Campeonato Paulista (2020/2021), o 6º lugar na 24ª Summer Deaflympics (2021), a medalha de prata no Panamericano de 2024, além do 6º lugar no Campeonato Brasileiro de Clubes (2019), 4º lugar na Liga Regional de Campinas (2018) e participações nos Jogos Regionais em 2018 e 2023.

Já Denilson é atleta surdo desde os 14 anos e acumula medalhas em campeonatos nacionais e internacionais. Entre as principais conquistas está o ouro no Campeonato Brasileiro de Vôlei (2024); o quinto lugar na 23ª Summer Deaflympics, em 2017, na Turquia; além da medalha de prata nos 6º Jogos Panamericanos de Surdos e o sexto lugar no Circuito Nacional de Vôlei de Praia, ambos também em 2024.

SONHO

Para Denilson, a convocação é a realização de um objetivo perseguido por anos. “Estar entre os escolhidos para representar o Brasil é a prova de que todo o esforço valeu a pena. Sempre sonhei em vestir a camisa da Seleção em uma Surdolimpíada, e agora só quero poder estar lá, dando o meu melhor e trazendo orgulho para minha cidade e meu país”, afirma.

João Pedro destaca que a oportunidade vai além do esporte. “Quando recebi a notícia da convocação, senti uma mistura de emoção e responsabilidade. É uma chance de mostrar que os atletas surdos podem chegar longe, mesmo com tantas dificuldades. Quero inspirar outras pessoas surdas a acreditarem nos seus sonhos”, diz o jovem jogador.

FORMAS DE APOIO

Empresas, instituições e pessoas físicas podem colaborar de diferentes maneiras: pagando as despesas dos treinos dos atletas, ajudando na preparação para a competição; patrocinando, integral ou parcialmente, os custos com passagens aéreas, alimentação, estadia e taxas da viagem ao Japão; realizando campanhas de captação de recursos, como eventos beneficentes, ações de doação ou financiamento coletivo; autorizando a equipe da Assupira a vender rifas em eventos corporativos ou de grande público, contribuindo para a arrecadação dos valores necessários.

Leia também

Brasil supera potências europeias em ranking de liderança feminina da Geração Z, aponta estudo divulgado pelo LinkedIn Mulher

Brasil supera potências europeias em ranking de liderança feminina da Geração Z, aponta estudo divulgado pelo LinkedIn

Associação de Surdos – Libras de Piracicaba busca apoio para aquisição de uniformes esportivos Esporte

Associação de Surdos – Libras de Piracicaba busca apoio para aquisição de uniformes esportivos

Com uma estimativa de 36 milhões de pessoas 60+ para 2026, colocar o idoso no centro do cuidado deve ser objetivo Brasil

Com uma estimativa de 36 milhões de pessoas 60+ para 2026, colocar o idoso no centro do cuidado deve ser objetivo