A cultura da juventude, promovida pela sociedade moderna através da supervalorização da beleza, de corpos magros, onde imagens com filtros propagam a aparência sem sinais do tempo em redes sociais, impõe padrões irreais. A exebição de corpos editados, de rostos esculpidos ou totalmente modificados por procedimentos cirurgicos ou não invasivos, estimula a comparação constante com outras pessoas e a idealização de uma aparência praticamente inalcançável. Tudo isso é mais intenso no universo feminino, ou seja, mulheres são cobradas para que se mantenham sempre jovens e magras. Ma o que fazer para lidar com essa pandemia da “perfeição”?
De acordo com Yedda Bueno, psicóloga psicanalítica, pós-graduanda em Transtornos Alimentares: Obesidade, Bulemia e Anorexia, o segredo para lidar com a pressão estética - magreza e juventude - está em mudar o foco para a funcionalidade. “Parece ser uma fala muito repetitiva, mas a mídia e as redes sociais estão carreadas pelo consumismo. A todo instante (a mídia e as redes sociais) levam o público a seguir os perfis que promovem padrões irreais. Com a publicidade em forma dinamizada, somos bombardeados pela indústria da moda, desde roupas, acessórios, até as farmacêuticas, e esta última pode colocar a vida em risco, sem um real controle sanitário”, explica a psicóloga sobre os interesses econômicos por trás da pressão estética.
GERONTOFOBIA
A valorização excessiva da juventude faz com que envelhecer seja visto como algo negativo. Constantemente, a aparência jovem é associada a sucesso e valor. Entre as consequências, uma delas é a gerontofobia: medo de envelhecer, rejeição aos sinais do envelhecimento - rugas, limitações físicas -, ou simplesmente, o preconceito contra pessoas idosas. E o medo de envelhecer pode deturpar o que realmente se deseja alcançar, se a meta for a qualidade de vida. “O que, especialmente as mulheres estão em busca?”, indaga Yedda, ao apontar para a diferença entre autocuidado e autopunição. “Os exercícios e alimentação devem ser vistos como formas de ganhar vitalidade e longevidade, não como castigos para atingir um número na balança”, completa.
Para a psicóloga, a aceitação sobre a própria idade é fundamental para não ser vítima da gerontofobia.
As rugas e as mudanças corporais são sinais de sobrevivência e vivência. A maturidade traz um ‘borogodó’ que a juventude, por definição, ainda não se apropria
Segundo Yedda Bueno, a gerontofobia escancara o ódio ao próprio corpo envelhecido e a busca autodestrutiva pela juventude eterna. "Isso mostra como a sociedade empurra as mulheres para escolhas extremas.Recomendo o filme, A Substância (The Substance, 2024),classificado como terror, mas que é uma das críticas mais comentadas sobre a pressão estética e o etarismo. E para as leitoras de plantão, indico o livro: O Peso do Tempo: A Eterna Juventude e a Gerontofobia Social (2024/2025), escrito por Sabrina Fumagalli Leães. O livro analisa como a ‘cultura do jovem eterno’ marginaliza quem carrega marcas do tempo, e como a gerontofobia transformou o envelhecimento em algo visto como "patológico" pela indústria da beleza", destaca.
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