Sexta-feira, 15 de maio de 2026

Mudanças climáticas são fator de risco para saúde da pele, alerta especialista

O ano de 2024 tem sido reflexo de como as mudanças climáticas são um problema urgente a ser tratado. Contudo, além dos problemas com as queimadas e outras tragédias, o corpo humano também pode ser gravemente afetado por tais condições, principalmente no que tange a saúde de seu maior órgão: a pele.De acordo com o estudo “The dermatological manifestations of extreme weather events: A comprehensive review of skin disease and vulnerability”, publicado no The Journal of Climate Change and Health, gr

Mudanças climáticas são fator de risco para saúde da pele, alerta especialista

Mudanças climáticas são fator de risco para saúde da pele, alerta especialista

O ano de 2024 tem sido reflexo de como as mudanças climáticas são um problema urgente a ser tratado. Contudo, além dos problemas com as queimadas e outras tragédias, o corpo humano também pode ser gravemente afetado por tais condições, principalmente no que tange a saúde de seu maior órgão: a pele.

De acordo com o estudo “The dermatological manifestations of extreme weather events: A comprehensive review of skin disease and vulnerability”, publicado no The Journal of Climate Change and Health, graves alterações nas condições climáticas são causas para o desenvolvimento de problemas cutâneos.

Com mais de 15 anos de carreira, a dermatologista da Clínica Áurea, Rebeka Sobral, detalha os problemas causados por alterações climáticas. “As variações constantes de temperatura e umidade podem causar vários problemas na pele. Em ambientes frios e secos, a pele tende a perder umidade, resultando em ressecamento, descamação e irritação. Já em climas quentes e úmidos, a pele pode sofrer com o aumento da produção de sebo, o que pode obstruir os poros e agravar a acne. Além disso, mudanças bruscas de temperatura podem enfraquecer a barreira protetora da pele, tornando-a mais sensível e propensa a irritações e reações alérgicas”, destaca.

O artigo também relata os efeitos cutâneos adversos causados pelo aumento da temperatura e por queimadas em florestas, realidade bastante vista no Brasil. A alteração na flora e fauna devido às mudanças climáticas pode aumentar a exposição a substâncias indevidas. As queimadas, por exemplo, liberam poluentes no ar como material particulado (MP), monóxido de carbono (CO), dióxido de enxofre (SO2), dióxido de nitrogênio (NO2) e compostos orgânicos voláteis (COV). O resultado da poluição pode ser o desenvolvimento de irritações cutâneas e o agravamento de condições inflamatórias.

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Contudo, as queimadas podem ser consideradas como um dos principais fatores para a poluição. A atividade industrial tem grande participação na redução da qualidade do ar, além de liberar gases de efeito estufa causadores do aumento da temperatura. Segundo o Índice global de temperatura terrestre-oceânica da Nasa, a temperatura média do planeta em 2023 foi a maior já registrada, atingindo 1,36° Célsius a mais que a média no período pré-industrial. Assim, o aumento nas temperaturas e o clima mais seco podem reduzir a umidade na pele. Essa secura traz danos à barreira protetora natural da pele, fator que gera uma maior suscetibilidade a rachaduras, irritações, infecções e alergias.

Outro problema está relacionado a diminuição da camada de ozônio, liberando mais radiação UV ao planeta. O contato desses raios com a pele pode levar ao envelhecimento precoce, aparecimento de manchas solares, rugas, além de aumentar o risco de doenças como câncer.

Desse modo, os impactos destacados reforçam a importância de adaptar os cuidados com a pele às condições ambientais em mudança. “Para manter a pele saudável frente às mudanças climáticas e à poluição, é essencial adotar algumas práticas. Primeiro, é crucial garantir uma hidratação adequada, usando cremes e loções que atendam às necessidades específicas da sua pele e bebendo bastante água. A proteção solar diária também é fundamental, independentemente do clima, para proteger a pele dos danos dos raios UV. Além disso, uma limpeza eficaz que remove poluentes e impurezas sem ressecar a pele também é importante”, reforça a dermatologista.

Assim, utilizar protetores solares eficazes, hidratantes adequados e evitar a exposição excessiva a poluentes e radiação UV são medidas recomendadas para manter a saúde da pele. Outra recomendação é a limpeza cutânea regular, visando remover poluentes, sujeiras e a oleosidade que podem obstruir os poros e causar irritações. É essencial optar por um limpador suave que não agrida a barreira da pele. Além disso, uma alimentação rica em antioxidantes como vitamina C e vitamina E tem boa atuação na contenção de danos dos radicais livres causados pela poluição.

Já em caso de climas mais secos e com altas temperaturas, o principal objetivo deve ser a manutenção da umidade. Em vista disso, a recomendação é o uso de umidificadores em ambientes internos e o uso de cremes ricos em óleos, evitando a secura. Em ambientes externos, outra medida se dá pelo uso de protetor solar, além de roupas com proteção solar e acessórios como chapéus de abas largas e óculos de sol com proteção UV.

Essas medidas, no entanto, não descartam o acompanhamento com especialista. “Para cuidados personalizados, a recomendação é ter consultas regulares com um dermatologista, que pode oferecer orientações específicas e tratamentos para proteger e restaurar a saúde da sua pele. Os profissionais conseguem avaliar com maior precisão as necessidades do paciente e, assim, fazer um cuidado mais adequado”, recomenda Rebeka Sobral.

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