Domingo, 14 de junho de 2026

‘Runner’s face': médico traz mitos e verdades sobre danos dermatológicos relacionados à prática de corrida

A chamada ‘runner's face’, ou “face de corredor”, é caracterizada por marcas de exposição aos raios solares e o envelhecimento precoce da pele

Grupo de quatro pessoas praticando corrida ao ar livre: dois homens e duas mulheres
A prática de corrida pode trazer danos dermatológicos devido à exposição solar, mas médico diz que não altera os tecidos da face - Foto: Freepik

No Instagram e no X (ex-Twitter), os feeds estão cheios de fotos das chamadas ‘street races’. Com a popularização das corridas de rua no Brasil e no mundo, um fenômeno tem chamado a atenção dos dermatologistas: a chamada ‘runner's face’, ou “face de corredor”; caracterizada por marcas de exposição aos raios solares e o envelhecimento precoce da pele.

A questão que surge é simples, mas polêmica: seria a ‘runner face’ um mito ou uma consequência real da prática intensa? A dúvida acompanha o crescimento da modalidade, que vai muito além do esporte competitivo. Kits personalizados, chips de monitoramento e uma experiência completa de lifestyle têm atraído pessoas de diferentes idades para percorrerem circuitos de corrida à céu aberto.

De acordo com o 12º Relatório Anual de Tendências Esportivas, do app Strava, a ‘corrida’ segue como o esporte mais popular entre usuários da plataforma global, com o número de competições em ascensão. No Brasil, estima-se que o mercado já movimente em torno de R$ 1 bi, somando mais de 14 milhões de ‘runners’, segundo dados da Ticket Sports.

No entanto, as preocupações acerca da ‘runner’s face’ levantou questionamentos entre a comunidade, sobre os possíveis efeitos da prática intensa. De acordo com Octávio Guarçoni, médico especializado em dermatologia e referência em saúde metabólica no Brasil, os alertas emitidos que o movimento da corrida mexe com os tecidos da face são fictícios. Ele diz que pequenas rotinas como o uso do protetor solar, hidratação e acompanhamento dermatológico são o suficiente para evitar o ressecamento da pele no sol.

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Para Guarçoni, a prática regular de corrida traz benefícios que vão muito além do condicionamento físico, como o auxílio à circulação, fortalecimento dos músculos e articulações, regulação do sono e redução dos níveis de estresse.

O corpo se adapta ao esforço gradualmente, e os efeitos positivos na saúde são nítidos. As corridas, por si só, não têm o potencial de degradar as fibras colágenas, mas o afinamento do rosto é natural diante da perda do tecido celular

Octávio Guarçoni, dermatologista

Com a chegada do verão no próximo dia 21 de dezembro, o dermatologista reforça a importância de cuidados específicos. “O calor e a radiação solar aumentam o risco de danos à pele durante os treinos ao ar livre. É essencial usar protetor solar de amplo espectro, reaplicando a cada duas horas, além de optar por roupas leves e chapéus; ou bonés que ofereçam proteção adicional. Beber água antes, durante e depois da corrida ajuda a manter o corpo funcionando bem e a pele saudável”, complementa.

Para Octávio Guarçoni, os sulcos, olheiras e marcas de expressão que deixam o rosto visualmente mais cansado são consequências naturais do envelhecimento, mas que são incorretamente atribuídas às corridas. Especialista em saúde metabólica, Guarçoni também é um dos entusiastas da running, inclusive promovendo um dos maiores circuitos wellness de alto padrão em Feira de Santana, na Bahia: a Guarçoni Race Experience.

“O que muitos chamam de ‘runner face’, na verdade, não passa de um mito popular. Tecnicamente, o envelhecimento da pele é resultado de fatores como exposição cumulativa aos raios UV, poluição, tabagismo e genética, e não da prática da corrida em si. Corredores que mantêm uma rotina de proteção solar, hidratação adequada e acompanhamento dermatológico dificilmente terão danos específicos relacionados à atividade. Portanto, a corrida deve ser vista como aliada da saúde, e não como vilã da estética facial”, garante.

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