Segunda-feira, 25 de maio de 2026

Saúde e ética: palestra no Hospital Regional de Piracicaba aborda dilemas bioéticos

O HRP - Hospital Regional de Piracicaba - da Unicamp, por meio da Comissão de Bioética, realizou na última terça-feira (22), palestra com o tema dilemas bioéticos. A abordagem do tema tem como objetivo garantir uma prática de saúde ética e eficaz, protegendo os direitos e a dignidade dos pacientes e auxiliar os profissionais na tomada de decisões complexas. O evento, que reuniu médicos, enfermeiros e demais profissionais dos setores da instituição, contou com a participação de convidados como os

Saúde e ética: palestra no Hospital Regional de Piracicaba aborda dilemas bioéticos

Saúde e ética: palestra no Hospital Regional de Piracicaba aborda dilemas bioéticos

O HRP - Hospital Regional de Piracicaba - da Unicamp, por meio da Comissão de Bioética, realizou na última terça-feira (22), palestra com o tema dilemas bioéticos. A abordagem do tema tem como objetivo garantir uma prática de saúde ética e eficaz, protegendo os direitos e a dignidade dos pacientes e auxiliar os profissionais na tomada de decisões complexas. O evento, que reuniu médicos, enfermeiros e demais profissionais dos setores da instituição, contou com a participação de convidados como os professores doutores Jacks Jorge Júnior e Pedro Luiz Rosalen.

Na abertura do evento o diretor-executivo do hospital, médico cardiologista José Roberto Matos Souza destacou a complexidade do tema, que envolve conflitos entre diferentes princípios éticos. Segundo Souza, trata-se de uma questão desafiadora para os profissionais de saúde que precisam tomar decisões equilibrando o bem-estar do paciente, com valores como justiça, autonomia e beneficência, sempre com análise cuidadosa e reflexiva.

A palestra teve início com Jacks Jorge Júnior, mestre e doutor em Biologia Patologia Buco-Dental e professor adjunto na FOP/Unicamp - Faculdade de Odontologia de Piracicaba/Unicamp, com experiência em Estomatologia, que apresentou o conceito de bioética como um campo essencial dentro da saúde, impulsionado pelos avanços científicos, transplantes, células-tronco e protocolos de tratamento complexos. “O papel da bioética se fortalece quando surgem dúvidas em meio à prática clínica e um exemplo disso é de um paciente em estágio avançado de tratamento oncológico, sem perspectiva de cura; é neste ponto que os princípios bioéticos de autonomia, beneficência, não maleficência e justiça, se tornam indispensáveis para orientar as decisões”, pontuou.

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Jacks Júnior abordou ainda, o desafio de respeitar a autonomia do paciente, especialmente quando ele entra em conflito com decisões médicas. “Quando o paciente recusa um tratamento essencial, enfrentamos um dilema: até que ponto devemos intervir e, em situações de escassez de recursos, como equilibrar a justiça e a não maleficência?”, questionou.

Já o palestrante Pedro Luiz Rosalen, farmacêutico de formação, professor titular da FOP/Unicamp, especialista em Bioquímica e pós-doutorado em Cariologia, conduziu os participantes a uma profunda reflexão sobre os dilemas éticos enfrentados na terminalidade da vida. Com uma abordagem humanizada e multidisciplinar, ele destacou como a ética médica se torna essencial na tomada de decisões em contextos delicados, como os cuidados paliativos e o fim da vida.

“Em casos de terminalidade, é preciso considerar o desejo do paciente, seu conforto e bem-estar. A suspensão de tratamentos considerados fúteis que não contribuem para a melhora do quadro clínico ou aliviam o sofrimento, é uma decisão complexa, porém necessária”, afirmou Rosalen.

A influência da religião nas decisões médicas também foi discutida. Pacientes religiosos frequentemente optam por tratamentos mais agressivos, acreditando em possibilidades sobrenaturais de cura. No entanto, Rosalen destacou que espiritualidade e medicina não precisam estar em lados opostos. “É possível acolher crenças e valores com escuta ativa e empatia”, afirmou.

Ao final, participantes contaram suas histórias referentes às temáticas abordadas e os palestrantes lembraram que a medicina não pode ser vista apenas como técnica. A terminalidade da vida exige uma abordagem ética, humana e coletiva. “Não se trata de desistir do cuidado, mas de mudar o foco. É preciso respeitar o desejo do paciente, garantir conforto e promover dignidade até o fim”, enfatizaram.

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