Sábado, 6 de junho de 2026

Vício em jogos de azar pode virar transtorno mental grave, destaca médico psiquiatra

As plataformas de apostas on-line - como o “jogo do tigrinho” as “bets -” ganharam espaço nos últimos anos, movimentando altos montantes e ganhando um número cada vez maior de adeptos. Mas esse hábito de apostar de forma virtual pode, de forma muito rápida, tornar-se um "vício em jogos".É considerado vício em jogos o comportamento de persistir em jogar recorrentemente, apesar de consequências negativas ou do desejo de parar. Em uma pesquisa recente do Datafolha, 30% dos brasileiros de 16 a 24 an

Vício em jogos de azar pode virar transtorno mental grave, destaca médico psiquiatra

Vício em jogos de azar pode virar transtorno mental grave, destaca médico psiquiatra

As plataformas de apostas on-line - como o “jogo do tigrinho” as “bets -” ganharam espaço nos últimos anos, movimentando altos montantes e ganhando um número cada vez maior de adeptos. Mas esse hábito de apostar de forma virtual pode, de forma muito rápida, tornar-se um "vício em jogos".

É considerado vício em jogos o comportamento de persistir em jogar recorrentemente, apesar de consequências negativas ou do desejo de parar. Em uma pesquisa recente do Datafolha, 30% dos brasileiros de 16 a 24 anos afirmam que já apostaram em jogos de forma virtual. O número para todo o país é de 15%, onde 7% dizem que não apostam mais e 8% continuam.

De acordo com Ariel Lipman, médico psiquiatra e diretor da SIG - Residência Terapêutica, trata-se de um problema cada vez mais frequente e grave, pois leva a consequências negativas significativas para a saúde mental e o bem-estar geral do indivíduo. “O jogo de azar traz uma promessa de ganhar dinheiro rápido e fácil, de qualquer lugar do mundo, em qualquer dia e horário, mas é um perigo, acima de tudo, devido ao risco de acarretar transtornos mentais”, explica o profissional.

Vale ressaltar que, ao longo dos últimos anos, o vício em jogos pela internet atingiu um número maior de pessoas por conta de sua facilidade. Se, antigamente, a pessoa precisava sair de casa para apostar em uma casa de jogos, hoje consegue-se jogar de qualquer lugar, dentro de casa, do celular ou do computador.

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Esse vício em jogar pode ter como consequência o desenvolvimento de um transtorno patológico de compulsão ou dependência, que envolve doenças, como dependência química e compulsão alimentar, ou seja, são problemas graves. “No caso do vício em jogos, a grande maioria das pessoas acumula perdas e dívidas, gerando sentimento de impotência e vergonha, com o agravante de que muitas vezes elas realmente perdem tudo o que têm”, complementa Lipman.

Hoje em dia, já há casos de um grande número de pessoas que pedem adiantamento do salário ou do 13º salário e férias para poder continuar jogando. “Esse é tipicamente o sintoma de quem está em uma escalada de dependência, em uma compulsão”, pontua o psiquiatra.

Vício pode levar à depressão e outros males

O especialista explica ainda que, dependendo do nível do vício, esses indivíduos podem ainda desenvolver outros problemas de saúde mental, como depressão. Vale lembrar que, segundo a OMS - Organização Mundial de Saúde, o Brasil é o país mais ansioso do mundo, com 9,3% da população afetada por esse transtorno mental.

Além disso, essas pessoas podem também ter problemas de insônia, e até mesmo declínio no desempenho acadêmico e profissional. “A dedicação excessiva aos jogos pode resultar em queda de produção em outros aspectos da vida, pois a falta de concentração, a procrastinação e a negligência de responsabilidades são consequências comuns observadas em indivíduos viciados em jogos”, resume Lipman.

O ato de apostar é viciante também por conta da liberação de dopamina, um neurotransmissor associado ao prazer e à recompensa, ocorre durante a jogatina. “Ele acaba incentivando o comportamento repetitivo e levando ao desenvolvimento do vício, assim como acontece em outras situações”, opina o psiquiatra.

Intervenções e tratamentos

É importantíssimo procurar um médico e um psicólogo para que o problema seja acompanhado de perto e tratado de forma adequada. Além de possíveis medicações prescritas por um psiquiatra, algumas estratégias também podem ajudar no tratamento. “O apoio familiar é de extrema importância, mas estabelecer uma rotina equilibrada é a chave para a recuperação. Incentivar a adoção de hábitos saudáveis, como a prática de exercícios físicos, uma dieta balanceada e a melhoria dos padrões de sono, pode contribuir significativamente para a recuperação", enfatiza o psiquiatra.

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